Estória 2

Isto aconteceu faz pouco tempo. Costumamos sair num fim de semana em algum hotel razoavelmente bom, para comemorar aniversários, e esta vez foi na data do dia 30 de maio, cumprindo 95 anos nas costas. A minha querida esposa Eva tinha me deixado fazia exatamente um ano, e nesse período não viajei.

Precisamos escolher locar e data, sendo ambas escolhas difíceis.

A data correta seria de 29 a 31 de Maio, mas a minha filha Diana Deborah, que e sempre animada, e anima o grupo, sugeriu que devido a um câncer de pele, ela tinha agendado com o médico dermatologista, fazer a cirurgia dia 27, impedindo viajar nessa data, e sugeriu uma semana antes da data correta, ou seja de 22 a 24 de MAIO, o que foi aceito.

O segundo problema era escolha do lugar. Entre montanhas e praias, optou-se por Águas de Lindoia, então faltava definir hotel, e optou-se, por não ser tão caro, pelo Hotel Monte Real, desconhecido para nós, que era o único com lugares

Fizemos as reservas, pagando os dois dias adiantados. Tínhamos um grupo de 12 pessoas, confirmadas nesta viagem.

Chegado o dia, embarcamos na aventura, saindo depois do almoço da sexta feira. Apesar de ser uma sexta feira, a viagem foi tranquila e chegamos no fim da tarde. Muita gente estava também entrando nesse horário no hotel.

A primeira impressão foi muito ruim. Procurando um banheiro, nos enviaram para o lado esquerdo que era distante, e muito antigo, e primitivo. Sofia tinha chegado um pouco antes, e já nos tinha alertado: ”muito velho” o hotel.

Depois da recepção, fomos direcionados para os quartos, com as malas. Chegando no quarto do segundo andar, e longe do elevador, fiquei muito bravo, ao ver o estado do quarto, e banheiro, e falei vamos embora, não vou ficar nesta espelunca, quarto limpo, mas que fazia 50 anos ninguém tinha mexido nos móveis e camas, tudo deteriorando e nosso grupo foi se juntando no meu quarto, para ouvir que eu queria ir embora. Mesmo já tendo pago, e mesmo sendo quase de noite.

Ficamos trocando ideias e consultando o Hotel Oscar inn onde já tínhamos estado e tinham reformado os apartamentos, e tinha lugar para nós…

Estava quase decidida a saída, quando meu genro Richard sentou na minha frente e ponderou comigo. Está quase na hora de jantar, vamos passar esta noite aqui, e se não queremos ficar, vamos amanhã embora, depois do café. Aceitei as ponderações e marcamos descer para jantar as 19 hs. Neste intervalo, e depois de reclamar, nos trocaram para o terceiro andar, num apartamento frente ao elevador. O quarto era igualmente muito antigo.

No jantar, tivemos a surpresa de um salão enorme, com lustres antigos de luxo, mesas com toalhas limpas, e a comida que cada um tinha que se servir, era muito boa. Jantamos num ambiente mais sossegado, tivemos oportunidade de conversar, de um lado minha neta Tatiana, do outo minha filha Sofia, na frente o Richard e um pouco do lado direito, o Dov, o David, namorado da Tati, o Rafa e a Ariela, e do lado esquerdo o Nilson, a Deborah, o Haroldo e o Jorginho. Terminamos com a sobremesa, e fomos até o salão de jogos, no fim de um salão aconchegante, com sofás, poltronas, mesas e abajures, difícil de descrever, mas enorme, e vestígio de um lugar nobre. No salão de jogos éramos os únicos. e jogamos, até o sono nos indicar, que era hora de descansar.

Dormimos bem, tomamos banho, e descemos para o café da manhã. Novamente tínhamos que escolher e nos servir sozinhos, mas tinha de tudo e foi bom.

Vimos na noite anterior e agora de manhã, alguns hospedes indo e voltando da piscina. e ficamos curiosos para conhecer. Como tudo estava muito longe, peguei uma cadeira de rodas, e fomos em grupo em busca das piscinas. Nova surpresa: prédios novos em ambiente e piscinas aquecidas, e muito bem instaladas.

Mas não eram somente essas duas grandes piscinas, existiam mais piscinas, e era preciso tomar um elevador, seguir um certo caminho e procurar outro elevador e seguir as indicações, já tínhamos andado bastante, e pedi para  voltar, novamente dois elevadores e passando um certo lugar, a minha filha Deborah parou numa janela e mencionou, “olhem lá embaixo está o Hotel do Lago”, onde uma vez ficamos toda a família. Parei para ver e tive um estalo de recordação. Se o hotel do lago fica embaixo então estamos no antigo hotel Tamoios, onde ficavam hospedados a tia Ruth e o tio Ernesto. E que tinha sido após a sua fundação na década de 40, o hotel cinco estrelas, mais caro e melhor instalado. Do Hotel do Lago tínhamos vivido uma experiência que ficou marcada para a vida. Estávamos almoçando e de repente as pessoas levantavam da mesa, e se dirigiam às janelas, fomos também, e para nossa surpresa, nossos dois carros como muitos outros carros, que estavam estacionados naquele lado estavam boiando, e batendo alguns com outros. Não tinha chovido em Águas de Lindoia, mas tinha vindo de longe, uma enxurrada de água, do rio que abastece o lago, e inundado a rua. Nossos dois carros ficaram com 15 centímetros de água dentro, o motor inundado e demorou até a água descer, e conseguir empurrar os carros, até um lugar seco e procurar mecânico, e conseguir que os carros funcionassem. Os poucos mecânicos de Lindoia, estavam super ocupados, para tratar dos muitos carros que se encontravam avariados sem funcionar, e mais tarde ficou um cheiro insuportável, e tivemos que trocar de carros, mas os filhos lembram do episódio.

A tia Ruth, irmã da Waly, mãe da Eva, e o Ernesto, era mais ou menos no ano 1965 se hospedavam no hotel Tamoios, que era o mais chique e caro de Águas de Lindoia, e era onde nos estávamos hospedados. Eles vinham nos visitar no hotel do Lago, que era mais simples.

Rememorando e homenageando, a memória dos tios da Eva, que eram o tio Salo a tia Ruth e a tia Erna, morando todos em São Paulo ou imediações. A tia Ruth era na época governanta na casa da Luba Klabin, que participou de nosso almoço de casamento no clube Suíço, e o tio Ernesto tinha conseguido pela intermediação de parentes da Luba, uma representação de azulejos, que eram

fabricados na Avenida Suburbana, no Rio de Janeiro e eram muito disputados, e difíceis de se conseguir.

Assim tivemos o prazer de descobrir, que essa viagem nos levou a recordar, que o hotel tinha reminiscências e relações com a história da família.

Ruth e Ernesto deram hospedagem para Eva, quando veio da Bolívia, e antes para Enrique, irmão da Eva, até ele ter condições de se instalar por conta própria, na sua casinha, numa vila da rua Melo Alves, que existe até hoje. Era nessa casinha que eu namorava com a Eva, antes de noivar, e nos casar.

Enrique tinha uma oficina de reparo para carros hidramáticos, chamada Quatro Azes, uma novidade na época, trabalhava com o socio Emídio, até de noite, e era muito conhecida., na rua Oscar Freire. Mais tarde e junto com Marcelo fundaram o Playcenter, que foi uma iniciativa muito bem aceita, na cidade de São Paulo.

Como nos primeiros anos eu não tinha carro, eles nos levaram para a praia grande, onde o tio Salo tinha um pequeno apartamento, ou onde mais tarde o irmão da Eva comprou um minúsculo apartamento na praia José Menino.

Como eles foram sempre muito gentis conosco, aproveito para homenagear a memória deles, nesta estória ligada a Águas de Lindoia, e ao Hotel Tamoios, hoje Monte Real.

Para o hotel Monte Real voltar a adquirir seu esplendor, seria necessário, investir na remodelação dos apartamentos, num processo mesmo que lento, e gradativo, e cobrando valores diferenciados na área reformada.

Esta viagem trouxe à tona lembranças que hoje são estórias de 60 anos atrás, e a oportunidade homenagear parentes queridos.

– Eduardo Wendriner:

Boa tarde tio, como sempre, sua narrativa espetacular , nos faz saber e saborear as memórias da família. O Sr é um exemplo para mim, sua escrita , sua oratória , sempre perfeita,  Saudades do Sr tio tão querido, bjo gde

– Celia:

Gostei de ouvir estória.
E relembrar que quando menina, meus padrinhos me levavam pra passar as férias no Hotel Tamoios.
E o chá, com torradinhas com manteiga feita lá, à noite, antes de subir pra dormir, era a coisa – mais deliciosa do mundo.

– Cristoph Derendinguer:

Bonita lembrança. Tive o privilégio de conhecer todos os membros da família que você mencionou.
Se não me engano, Erna, Max e Miriam também moraram naquela vila da Melo Alves.
E eu passei minha infância pertinho. Morei na casa que depois de eu sair foi comprada pelo Beit Chabad na rua que hoje tem esse nome. Visitei uma vez antes de construírem a grande sinagoga da Melo Alves, meu quarto virou a biblioteca do Rabino.
Anos mais tard fui lá novamente. A casa ainda existia nos fundos da nova sinagoga, onde fui cordialmente recebido pelo então Rabino Alpern

– Edith E Gabriel:
Hola tío! Vivencias actuales con lindos recuerdos.

– Yogele:
Muy linda una historia afectiva con muchos recuerdos de gente querida. Más que contar el viaje es el recuerdo con sus afectos de hace muchos pero muchos años

– Julia:
Adorei a Estória Vovô!!

– J F Saporito:
Bom dia Luis. Obrigado por compartilhar essa “Estória” tão especial, íntima  e curiosa da família Gaj. Na verdade, foi divertido sentir a sua inicial frustração com as condições do hotel para depois pouco a pouco perceber que haviam alguns detalhes bons e nem tudo era tão  ruim. Como são boas as recordações de certos lugares que nós remetemos junto com a família ao passado feliz. Mesmo atrasado felicito os seus bem vividos 95 anos. Abraço.

– Claudette:
Boa noite Luis
Agradeço a Estória número 02. Cheia de lembranças e comemoração do seu aniversário junto com a sua linda família.

– Miriam Menossi:
Tudo é estória!!!
Um planejamento estratégico de viagem por mais bem feito que seja, está sujeito que imprevistos aconteçam
Um imprevisto, às vezes, é para nos livrar de algo pior, outras vezes para nos aborrecer e outras para nos remeter a um passado glorioso.
Foi o caso da estória 2 que envolveu toda família diante daquele momento descrito e que agora fazem parte de sua bagagem existencial.
Sou da opinião que nossas estórias de vida devem ser transmitidas aos nossos descendentes.
E as viagens de grupos familiares é uma ótima oportunidade para os mais jovens conhecerem as vivências, os perrengues, os bons e os não muito bons momentos, enfim, a vida como ela era sem as conquistas que hoje temos.
Querido amigo, que mais situações sejam emergidas e se tornem conhecidas pelos membros mais novos da família.
Isso é muito enriquecedor!!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima