
No limiar das próximas eleições a população padece do desalento de falta de candidatos culturalmente preparados para enfrentar mais um período presidencialista com visão de futuro e com estratégias que permitam entender ser possível um futuro melhor para o país.
A gestão atual se caracteriza pelo esforço concentrado na reeleição e na radicalização de duas posições antagônicas sem diálogo e em confronto. Esta atitude beligerante somente serve para desgaste improdutivo de esforços que deveriam estar orientados a construir um futuro desenvolvimentista, de trabalho e de estimulo as iniciativas produtivas e empreendedoras.
As pessoas competentes foram desconsideradas na atual gestão e os principais cargos na direção foram loteados entre os amigos, membros do PT e apoiadores de longa data. As personalidades competentes e destacadas do mundo político, da economia e da sociedade estão sendo deixadas de lado, com a perda de possibilidades de governança de nível superior e com visão de futuro.
Os planos dos principais candidatos à presidência noticiados na imprensa são ricos em detalhes de gestão e pobres em relação ao que pretendem no médio e longo prazo. Alguns detalhes, como a redução de 10 ministérios podem ser bem vindos, já a premissa de que dinheiro pode resolver os problemas nacionais e a irresponsabilidade fiscal aparecem nos planos de curtíssimo prazo.
As perspectivas para a próxima gestão possuem alguns pontos intencionais positivos, mas carecem do espirito de pessoas com percepção de mudanças radicais na sociedade brasileira, de dependente do setor público para com iniciativa para mudar, com insatisfação para poder progredir.
A sociedade brasileira percebe cada vez mais que a polarização, os discursos inflamados de um e outo lado e a busca de votos com medidas populistas não promovem o desenvolvimento, não melhoram a infraestrutura, não estimulam o trabalho, a produtividade e os investimentos, que geram empregos e progresso.
Esta falta de rumo do Brasil promove a estagnação, a paralisia e o desgaste com as confrontações inúteis.
As prioridades para o futuro devem voltar a ser no desenvolvimento, nos investimentos e na prosperidade. Grande parte da população vive da bolsa família, acomodada ao suprimento das necessidades básica, mas sem perspectiva de um futuro melhor para si e para as futuras gerações
Enquanto o tempo sem planos de maior alcance não são nem sequer visionados, a criminalidade, as facções, a insegurança e a pobreza se consolidam.
Lendo artigo do jornalista Carlos Alberto Di Franco do dia 22 de julho de 2026 e identificado com as suas ponderações, tomo a liberdade de reproduzir parte literalmente, a seguir
“Milhões de jovens brasileiros olham o futuro com insegurança. O País que poderia ser uma potência global contenta-se com desempenhos moderados. O Brasil precisa de líderes que pensem grande, compreendam a complexidade nacional e sejam capazes de formular um projeto consistente de longo prazo. Governar não é administrar crises sucessivas. Governar é construir futuro. O estadista não alimenta divisões artificiais. Não governa para a s redes sociais nem para as próximas eleições. Governa para a próxima geração. Sabe que a prosperidade nasce da liberdade econômica, da segurança jurídica, da educação de qualidade e da valorização do trabalho.
O Brasil dispõe de território, recursos naturais, capacidade produtiva, talento humano, e força empreendedora para ocupar posição muito mais relevante no cenário internacional. O que falta não são riquezas. Falta liderança. A verdadeira revolução de que o país precisa não é ideológica.
E uma revolução de responsabilidade, competência e de visão estratégica. Uma revolução que enfrente o crime organizado com firmeza, libere o potencial econômico do Amazonas e devolva aos brasileiros a confiança no futuro. O Brasil precisa de um estadista.”
Sim, sem dúvida estas são as necessidades do país e ter plano estratégico de médio e longo prazo se torna a peça fundamental de uma gestão proativa. As perspectivas com os planos simples apresentados, demonstram neste momento que não teremos as mudanças de que precisamos, continuaremos na gastança e mesmo com as ideias que possam ser positivas sem considerar a necessidade da reforma política rumando a um modelo de bipartidarismo em lugar dos 30 paridos atuais e mais alguns partidos em formação.
A falta de propostas e de projetos de um dos planos e sinal de que a intenção é continuar com a gastança. Quando não se tem ideias uma ideia e continuar com o modelo atual de gastança e de que o dinheiro resolve tudo. Assim infelizmente não temos e não teremos no próximo período nem a estratégia que o Brasil precisa nem os líderes que seriam necessários para a executar.
É preciso, no entanto, considerar que Brasília apresenta uma complexidade de difícil gestão, coisa que constatei nas minhas atividades na Receita Federal e no Banco do Brasil em trabalhos de consultoria e aulas de estratégia. Brasília sofre a influência dos lobbies, do corporativismo e da multiplicidade de problemas políticos, econômicos e sociais, sendo que na parte social as soluções de curto prazo, imediatistas e demagógicas tem surtido seu efeito angariando votos e defensores, sem perspectivas e ambições maiores
Um dos perigos do modelo atual é o desejo de perenizar no poder e se transformar numa ditadura, modelo descrito por Ariel Palácios em muitos países da América Latina. Naturalmente essa ambição de poder conduz simultaneamente a redução das liberdades democráticas, que tem sido tema bastante debatido e sentido nos últimos tempos com a redução da liberdade de expressar ideias e consequente cerceamento das liberdades. Intervenções na liberdade da imprensa e desejo de abrir as fontes jornalísticas são sinais fracos desta tendência preocupante.
Os sinais do judiciário interferir na liberdade jornalística e querer ter acesso às fontes de informações com argumento de não permitir que sejam executadas ações delituosas fere frontalmente a liberdade de imprensa e a preservação do sigilo das fontes, se isto for violado as fontes sumiriam e as notícias carecerão de informações obtidas na liberdade de expressão.
A necessidade de gerir a complexidade promove solução simples como os penduricalhos e as vantagens financeiras, mas a médio prazo pode acelerar a inflação a nível de dois dígitos e provocar mais empobrecimento e o desequilibro fiscal já ocorrendo devido à gastança.
O Banco Central tem realizado um papel fundamental segurando a economia e a inflação, mas desestimulando os investimentos que demandam financiamentos com custo elevado.
Enquanto o estadista e que nos fala Di Franco não desponta no horizonte, enquanto a liderança com visão não se vislumbra, o que temos como perspectiva para os próximos quatro anos e uma gestão do dia a dia, sem visão.
Lamentável observar a passividade das elites, dos intelectuais, dos empresários, todos se contentando em ter sobrevivido, recebido vantagens e se mantendo passivo no tempo sem manifestar insatisfação. A sociedade como um todo, e a classe estudantil em particular, a classe operaria e todos os setores mencionados se mantem passivos, incluso a classe política que desfruta de suas vantagens e mordomias, a classe jurídica, o confronto entre executivo, congresso e judiciário e a falta de um rumo definido de governança
EM QUEM VOTAR?
Além dos dois candidatos da continuidade, temos mais 10 postulantes ao cargo de Presidente da República eles são:
Ronaldo Caiado do PSD com Gilberto Kassab como vice
Romeu Zema do Novo com coronel Medina como vice mais Augusto Cury, Rui Costa Pimenta, Hertz Dias, Samara Martins, Clariana Barão, Wilson Grassi e Pablo Marçal
Votar fora do contexto dos dois principais candidatos significa fortalecer uma terceira alternativa menos radical e o terceiro colocado no primeiro turno se aliando a um dos dois preferenciais fortalecera a legenda e irá ocupar provavelmente cargo importante no novo governo;
Apesar do Brasil possuir tudo que seria necessário para as mudanças de rumo com projetos e planos de longo prazo, apesar das boas sugestões apresentadas por pessoas com visão e perspectiva, apesar das condições favoráveis que nosso imenso território oferece em recursos naturais, é inadmissível ficar satisfeitos com as perspectivas da continuidade e isto provoca desalento, queda de investimento, fuga de capitais e fuga de jovens competentes buscando oportunidades em outros países.
As perspectivas de curto prazo com o atual cenário são desalentadoras e sugiro dar um tempo para avaliar o resultado das votações no dia 4 de Outubro e depois no segundo turno no fim de Outubro na esperança de um cenário de união nacional e de desenvolvimento para o país e para as populações, fortalecendo as famílias, promovendo o trabalho e investindo em infraestrutura e estimulando o empreendedorismo, o trabalho e o progresso.
Boa sorte nas próximas eleições.
Luis Gaj
Setembro de 2026
